domingo, 21 de outubro de 2012

Principais síndromes que acometem as vacas leiteiras no período periparto (Parte II)

A maioria dos estudos que comparou os efeitos de rações com baixo e alto teor de amido nas últimas 3 semanas antes do parto (nível elevado de forragem) concluiu que a quantidade de calorias consumidas tanto antes como após o parto aumentou, sobretudo devido ao aumento do consumo de matéria seca. Em geral, a quantidade de gordura mobilizada (conforme observado através do monitoramento de ácidos graxos não esterificados no sangue e do acúmulo de gordura no fígado) também diminui, refletindo uma melhora da condição energética da vaca. Os amidos são convertidos em propionato no rúmen da vaca, que é o principal precursor da produção de glicose no fígado. A maioria dos carboidratos estruturais em forragens é convertida em acetato – o que é bom para auxiliar na gordura do leite, mas a vaca não consegue utilizá-lo para produzir glicose.
 
Até quanto se pode aumentar o teor de carboidratos não estrutural/CNE (quase equivalente ao aumento do teor de amido na maioria dos casos) na dieta pré-parto e pós-parto? 
A maioria das orientações sobre nutrição sugeriria que o teor de CNE nas últimas 3 semanas antes do parto seja mantido entre 33 e 38% da ração.
 
 Em estudo realizado por Minor et al., 1998 utilizou rações pré-parto com 43,8% de CNE em comparação a outra com apenas 23,5%. O consumo de matéria seca no período pré-parto subiu de 10,2 kg/dia para 13 kg/dia com o aumento do teor de amido na ração. As vacas que receberam as rações com alto teor de CNE antes e após o parto também tiveram um aumento de aproximadamente 2,26 kg na produção de leite/dia. Como as vacas se adaptaram à dieta com maior teor de amido antes do parto, foi possível transferí-las para uma dieta pós-parto com 46,5% CNE sem que sofressem acidose ruminal e laminite. Contrariamente, a mudança de uma dieta com ração pré-parto com 23,5% de CNE para uma pós-parto com 41,7% CNE provocou laminite. Isso mostra que as alterações no teor de energia não devem ser drásticas. As vacas conseguem processar rações com alto teor de amido, mas precisam de tempo para se acostumar às com maior teor de nutrientes.
É improvável que o aumento do teor de amido na ração pré-parto cause acidose ruminal no período antes do parto, devido ao baixo consumo total das vacas secas. Porém, incluir mais amido geralmente significa reduzir o teor de fibra (FDN) da ração, sendo que é aí que reside o problema, pois isso pode aumentar a suscetibilidade do rebanho ao deslocamento do abomaso. O segredo é administrar uma forragem que forneça o teor adequado de fibra efetiva (ou seja, partículas maiores de 3,8 cm) de comprimento que ajudam a formar uma camada flutuante na parte superior dos fluidos ruminais), e que não seja tão comprida, mas palatável para não ser deixada de lado pelas vacas. Em alguns casos, o acréscimo de palha limpa de boa qualidade consegue suprir o teor adequado de fibra efetiva, ao mesmo tempo em que dá espaço para a adição de amido tanto na ração pré-parto como na pós-parto. A silagem de alfafa, bastante palatável, pode não suprir fibra efetiva suficiente para formar uma boa camada no rúmen, sendo essa camada essencial para a prevenção do deslocamento do abomaso a esquerda. A silagem de milho cortada com menos de 1,27 cm de comprimento também não contribui muito para a formação da camada flutuante no rúmen.
  • Recomendação-padrão e segura: As rações nas últimas 3 semanas pré-parto devem conter 35-38% de CNE. O teor total de FDN deve ser no mínimo 33%, de preferência com 26% de FDN na forragem. O teor de CNE na ração para o período pós-parto imediato pode ser seguramente aumentado para 40-42%. Em dietas para vacas recém-paridas o teor de FDN deve ser mantido acima de 27% e no mínimo 21% da ração em FDN na forragem.
  • Recomendação extrema: As rações nas últimas 3 semanas pré-parto devem conter entre 38 e 42% de CNE. O teor total de FDN deve ser no mínimo 30% e de preferência manter pelo menos 26% de FDN na forragem. O teor de CNE na ração para o período imediato pós-parto pode então ser aumentado para 44%. Nesse caso também, o teor de FDN na dieta de vacas recém-paridas deve ser mantido acima de 27% e no mínimo 21% da ração em FDN na forragem.
É imprescindível que sejam administradas forragens nesse tipo de estratégia de dieta para vacas no pré-parto como para vacas recém-paridas!! Pode ser necessário acrescentar feno de gramínea ou palha picada a essas rações para garantir o fornecimento adequado de fibra efetiva. Em geral, esse tipo de estratégia é muito perigoso para ser recomendado.
As hipóteses mais recentes são que o segredo para prevenir o acúmulo de gordura no fígado é evitar uma queda drástica do consumo alimentar (mesmo se a redução for de um consumo elevado para um intermediário). Limitar a ingestão de ração com alto teor energético parece funcionar tanto quanto a alimentação ad lib de tal ração (Holcomb et al., 2001). Contudo, a restrição alimentar não é um procedimento prático nas fazendas, pois uma vaca sempre obtém mais alimento do que as outras mais fracas do rebanho. Uma forma de “limitar” o consumo alimentar das vacas nas últimas 3 semanas de gestação é administrar ração com maior teor de forragem. A idéia é que a vaca vai comer para atender suas necessidades de energia e para conseguir essa energia, ela vai consumir quantidades bem grandes da dieta com forragem e continuar “com fome”, com a aproximação da data do parto e do início da lactação. O consumo diário de matéria seca no pré-parto é menor em comparação ao de vacas que recebem ração com maior teor de amido. Porém, os defensores dessa estratégia acreditam que a diminuição do consumo de matéria seca nos dias imediatamente anteriores e posteriores ao parto é menos grave nas dietas com alto teor de forragem. Tais dietas realmente parecem ser capazes de reduzir a incidência de deslocamento do abomaso no início da lactação. Uma preocupação é que a alteração de uma dieta pré-parto com menor teor energético para uma ração de lactação de alto teor energético é uma mudança grande demais, que provoca acidose ruminal. Entretanto, essas dietas aparentemente não causam maior incidência de acidose ruminal.
A idéia por trás dessa estratégia é que os músculos e outros tecidos do corpo conseguem queimar a gordura da dieta para obter energia em vez da glicose no sangue. Infelizmente, a maioria dos estudos não mostra nenhum benefício e talvez um certo aumento do teor de ácidos graxos não esterificados no sangue, quando se adiciona gordura (foram pesquisadas tanto a protegida como a não protegida no rúmen) à dieta das últimas 3 semanas de gestação (Skaar et al., 1989). Estudos realizados em vacas no início do período da lactação também não são animadores, pois a adição de gordura geralmente reduz o consumo alimentar nessa época (Salfer et al. 1995). Como os animais estão se alimentado bem, a adição de quantidades limitadas de gordura à ração geralmente aumenta a produção de leite e melhora as condições corporais.
As vacas recém-paridas perdem quantidades significativas (27 – 36 kg) de músculo nas primeiras semanas de lactação. Elas utilizam os aminoácidos dos músculos para produzir glicose. Essa estratégia sugere que, com a administração de uma ração com alto teor protéico antes do parto, conseguimos criar reservas nos músculos que podem ser utilizadas no início da lactação produzir glicose. Foram realizados vários estudos que indicam menos cetose e menor perda da condição corporal, quando se aumentou o valor protéico da dieta nas últimas 3 semanas de gestação para 16-17% de proteína bruta, sendo 38-44% não degradável no rúmen (Van Saun, et al., 1993, Holtenius et al, 1993, Vandehaar et al., 1999). Alguns desses estudos foram dificultados por alterações no valor energético e protéico nos tratamentos com “dietas de alto teor protéico”. Infelizmente, uma revisão da literatura técnica produzida nos últimos tempos não confirma o aumento do teor de proteína na dieta (seja como não degradável no rúmen, seja quando se adicionam aminoácidos essenciais) pré-parto como forma de melhorar as condições de saúde ou a produção de leite. A maioria dos estudos sugere que não há ganho com o aumento do teor de proteína bruta ou degradável no rúmen na dieta nas últimas 3 semanas de gestação, sendo que alguns indicam que dietas com alto valor protéico são até prejudiciais às vacas (Putnam et al., 1999, Greenfield et al., 2000).

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Principais síndromes que acometem as vacas leiteiras no período periparto (parte I)

Uma produção de leite eficiente exige que as vacas passem pela gestação e pelo parto todo ano. Em geral, o periodo de transição (período seco e início da lactação) é desastroso para as vacas (febre do leite, cetose, retenção da placenta e deslocamento do abomaso) ocorre nas primeiras 2 semanas do pós-parto. A etiologia de muitas dessas doenças metabólicas não clinicamente evidentes nessas 2 semanas, tal como a laminite, pode ser atribuída a danos que ocorreram no início do período de lactação. Além dos distúrbios metabólicos, a grande maioria das doenças infecciosas, principalmente a mastite, além de outras enfermidades, como a doença de Johne (Paratuberculose) e a salmonelose, tornam-se clinicamente aparentes nas primeiras 2 semanas da lactação. É possível aumentar bastante o bem-estar e a lucratividade das vacas, quando se compreende os fatores responsáveis pela elevada incidência de doenças no período periparto.
Em bovinos o complexo feto-placenta e sua demanda por energia, proteína e minerais aumentam drasticamente com o decorrer da gestação.
O parto e o início da lactação impõem enormes desafios fisiológicos aos mecanismos de homeostase da vaca. Nessa revisão vamos descrever o que já se sabe e, talvez o mais importante, o que não se sabe sobre as alterações fisiológicas que ocorrem em vacas leiteiras no período periparto e sua relação com o desenvolvimento de doenças.
A cetose é diagnosticada sempre que houver níveis elevados de cetonas no sangue, na urina ou no leite da vaca. Essa doença também se caracteriza por uma redução da glicose no sangue. Durante a lactação, a quantidade de energia necessária para a manutenção dos tecidos corporais e a produção de leite supera a quantidade de energia que a vaca consegue obter da dieta, sobretudo no início da lactação, quando o consumo de matéria seca ainda é baixo. Conseqüentemente, a vaca tem de utilizar a gordura corporal como fonte de energia. Qualquer vaca em boas condições de saúde utiliza as reservas corporais no início da lactação para ajudar na produção de leite. Contudo, há um limite para a quantidade de ácidos graxos que pode ser manipulada e utilizada pelo fígado (e até certo ponto pelos outros tecidos corporais). Quando se atinge esse limite, as gorduras não são mais queimadas para fornecer energia, mas começam a se acumular nas células do fígado como triglicérides. Alguns dos ácidos graxos são convertidos em cetonas. O surgimento dessas cetonas no sangue, no leite e na urina é diagnóstico de cetose. Quando a gordura se acumula no fígado, ele reduz sua função, e uma de suas importantes funções nas vacas leiteiras é a produção de glicose.
A conclusão é que o consumo de energia não pode ser prejudicado nos dias próximos ao parto. Qualquer fator que restrinja o consumo alimentar nessa época (tal como febre do leite ou retenção da placenta) aumenta o acúmulo de gordura no fígado, o que afeta o déficit de energia da vaca e aumenta o risco de fígado gorduroso-cetose.
As vacas deveriam parir com escore da condição corporal (ECC) entre 3,25 – 3,75. As vacas com 3,25 de ECC têm maior ingestão do que as com 3,75 de ECC. Porém, uma vaca com 3,75 de ECC, que recebe um bom manejo, tem potencial para produzir mais leite.
Dois fatores protegem a vaca contra acidose ruminal no meio da lactação.
Os microrganismos do rúmen estão acostumados a dietas com alto teor de amido, o que permite o crescimento de espécies bacterianas capazes de quebrar o ácido lático. Aparentemente são necessárias 3 semanas para formar uma população de microrganismos no rúmen capazes de processar amidos – daí a recomendação comum de colocar as vacas na dieta pré-parto 3 semanas antes da parição.
A parede ruminal da vaca na metade do período de lactação possui papilas largas e compridas que se projetam no fluido ruminal. Isso aumenta a área da superfície da parede ruminal, permitindo a absorção mais rápida dos ácidos graxos voláteis produzidos durante a fermentação dos alimentos para o sangue para transporte até o fígado e outros tecidos. Um estudo sugeriu que se pode perder até 50% da área de absorção nas primeiras 7 semanas do período seco (Dirksen et al., 1985). E nesse estudo foram necessárias quase 5 semanas de exposição a dietas com alto teor de grãos para restaurar o comprimento das papilas ruminais.
Recomendação: observações sugerem que as vacas nos EUA não sofrem uma redução tão grande do comprimento das papilas ruminais – provavelmente pelo fato de que as rações para as vacas secas nos primeiros 40 dias pós-secagem tendem a incorporar pelo menos um pouco de amido (silagem de milho), de forma que o comprimento não diminui tanto, sendo adequado as vacas permanecer no piquete com ração pré-parto por 3 semanas. Entretanto, as novilhas parecem realmente se beneficiar (do ponto de vista social e nutricional) com um período maior de tempo (5 semanas) com a ração pré-parto. Recomenda-se que as vacas prenhes de gêmeos também sejam colocadas no piquete com ração pré-parto 5 semanas antes da data esperada de parição. Elas precisam de mais calorias, sendo que geralmente parem 2 semanas mais cedo! Lembre-se de que o desvio-padrão no caso da data do parto é + ou - 9 dias; portanto, garantir que 95% das vacas de um determinado rebanho recebam uma ração pré-parto por no mínimo 2 semanas antes da parição significa que deveriam começar a recebê-la 23 dias antes da data de parto prevista.
 
 
 
Fonte:
Publicado em 24/02/2006 por Dr. Jesse Goff, National Animal Disease Center, USDA-ARS, Curso novos enfoques na produção e reprodução

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Características exteriores de vacas leiteiras


Manejo de vacas secas

Com a busca de um aumento na produção leiteira, tem-se motivado a procura de animais provados e com um alto potencial de produção. No entanto outros fatores altamente decisivos acompanham o mérito genético do rebanho, tais como nutrição e manejo. 
Uma das melhores maneiras é a adoção correta das técnicas alimentares especificas para cada fase do processo produtivo, dentre estas, as vacas secas, que por não estarem em lactação não aumentam diretamente o lucro líquido da propriedade e são às vezes, esquecidas pelos produtores. 
O programa das vacas secas inicia o próximo ciclo da lactação, exercendo uma grande influência na ocorrência de desordens metabólicas (cetose, deslocamento de abomaso, síndrome da vaca gorda e febre do leite), na mudança da condição corporal, no fornecimento de nutrientes necessários ao rápido crescimento do feto e na otimização da reprodução na próxima lactação. 
O período seco deve durar 60 dias a fim de permitir uma boa regeneração das células epiteliais desgastadas, um bom acúmulo de colostro e assegurar um bom desenvolvimento do feto, bem como completar as reservas corporais, caso estas ainda não tenham ocorrido. 
Desta forma, as vacas, no período seco, devem ser agrupadas em dois grupos distintos: 
O primeiro grupo abrange todos os animais que iniciam o período de repouso, que vai da primeira a quinta ou sexta semana, enquanto que o segundo grupo abrange os animais nas duas ou três últimas semanas que antecedem o parto. Uma das maiores razões que explica a necessidade à vantagem de se ter dois grupos diferentes para as vacas sêcas, é a de que se deve levar em conta a diminuição do consumo entre os dois grupos. 
Deste modo, no início do período seco os animais podem ser alimentados com uma pastagem de boa qualidade, feno, silagem e ou a combinação destes, no entanto, no final do período seco onde ocorre um grande aumento no crescimento fetal, existe uma elevação da pressão interna nos órgãos digestivos, diminuindo desta forma o espaço ocupado pelos alimentos este fato, associado com a grande variação hormonal no período pré-parto, ou seja, um aumento nas concentrações sanguíneas de estrógeno e corticóides e uma queda nas concentrações de progesterona, reduzem o consumo de matéria seca em até 30%, predispondo o animal a um balanço energético negativo, com isso aumentam o catabolismo de gordura elevando as concentrações de ácidos graxos não esterificados na circulação, onde serão posteriormente acumulados no fígado podendo causar problemas metabólicos e diminuindo a posterior produção leiteira.
Uma das medidas básicas a ser tomadas é a elevação da densidade energética da dieta final do período seco (aproximadamente 21 dias antes do parto), aumentando conseqüentemente a relação concentrado/volumoso, compensando desta forma a redução do consumo de alimentos. 
O aumento do consumo de concentrado, além de adaptar os microorganismos do rúmen a uma dieta rica em aminoácidos, favorece o desenvolvimento das papilas ruminais (pequenas projeções em forma de dedo na parede ruminal). O crescimento das papilas aumenta a superfície de contato do rúmen possibilitando uma maior absorção dos ácidos graxos voláteis, promove pequena variação no PH do rúmen e diminui o risco de acidose no início da lactação, onde grandes quantidades de grãos são introduzidas na dieta. 
Todavia, são necessárias de quatro a cinco semanas para que o alongamento das papilas se complete.
Recentes pesquisas têm mostrado que o aumento no fornecimento de proteína na dieta pode ter um efeito benéfico, principalmente porque mantem as reservas protéicas do animal, diminuindo suscetibilidades às desordens metabólicas, mas não devemos esquecer de atender as exigências em proteínas não degradáveis no rúmen (3% de farinha de sangue), vitaminas, minerais e outros aditivos são bastante úteis na alimentação das vacas secas. 
A Niacina pode prevenir cetose e manter o consumo de matéria seca, a recomendação atual é de 6 a 12g de Niacina/dia, iniciando vinte e um dias da data provável do parto até o trigésimo dia de lactação, principalmente para vacas de alta produção (> 32 Kg leite/dia) e vacas de primeira cria produzindo acima de 25 Kg/dia, bem como as vacas obesas. Assim como a niacina, o propilenoglicol pode ser fornecido em até 500 g/d, pois o mesmo é convertido em glicose no fígado, diminuindo a cetose e a formação do fígado gordo. 
Devemos ainda considerar que a imunidade das vacas é menor no período pré-parto e no início da lactação, onde o aparelho reprodutivo se encontra aberto e as taxas de infecção e mastite são altas, com isso o fornecimento de vitamina E, Zinco, Cobre e Selênio pode ser benéfico evitando problemas como mastite e retenção de placenta.
No inicio da lactação, principalmente em vacas de alta produção, existe um elevado fluxo de cálcio para a glândula mamária, reduzindo o teor de cálcio sangüíneo e como conseqüência predispõe a vaca a hipocalcemia que afeta até 75% das vacas de alta produção. Níveis reduzidos de cálcio no sangue pode levar à retenção de placenta, involução uterina evolução intensiva ineficiente, diminuição na contração do músculo liso e um aumento na incidência de deslocamento do abomaso.
Desta forma, a utilização de sais aniônicos (sulfato de cálcio) pode evitar a hipocalcemia, aumentando a mobilização de cálcio nos ossos. No entanto, devemos ter cuidado, pois os sais aniônicos são impalatáveis podendo reduzir o consumo de alimento, desta forma a utilização de palatabilizantes podem ser necessárias.
Um outro ponto importante que deve ser levado em consideração é a condição corporal das vacas próximas ao parto. Para avaliação é adotados o método da condição corporal de 1 (muito magra) e 5 (muito gorda) sendo que para o parto o ideal é que a vaca apresente de 3,4 a 3,75. Inúmeras pesquisas, têm mostrado que as vacas supercondicionadas consomem menos alimento no pré-parto e no pósparto, apresentando uma alta incidência de problemas metabólicos, existindo alta correlação entre condição corporal no pré-parto e consumo de matéria seca no primeiro e vigésimo primeiro dia pós-pano. Desse modo, a obesidade pode ser tão prejudicial quanto à falta de condição corporal no momento do parto.

domingo, 2 de setembro de 2012

Método de secagem de vacas

O que é secar uma vaca?
Secar uma vaca é fazer com que ela pare de dar leite, ou seja, que interrompa sua lactação.
 Por que secar uma vaca?
Pelos seguintes motivos:
  • Proporciona tempo suficiente para regeneração dos tecidos secretores do leite.
  • São necessários 60 dias, entre o fim da lactação e o parto, para que a vaca tenha regenerados os sus tecidos secretores de leite para a próxima lactação.
  • A secagem proporciona maior produção de colostro, essencial para a sobrevivência da cria recém-nascida.


Nos ultimos 60-90 dias que precedem o parto, o desenvolvimento do feto é acentuado. Para se ter uma cria vigorosa, grande parte dos nutrientes que a vaca, nessa fase, retira dos alimentos deve ir para o processo de gestação. Se, além de gestante, a vaca se encontrar em lactação, o desgaste orgânico nesse período será maior, com prejuizo para a cria que está gerando.
Há outra situação em que se aconselha fazer a sacanagem. É quando a vaca apresenta uma produção tão baixa que se torna antieconomico mantê-la em lactação. Nessa situação, além da mão-de-obra que se gasta em seu manejo, há uma sobrecarga desnecessaria na área de pasto das vacas em lactação, justamente daquelas que consomem mais alimentos.

Quando se deve secar uma vaca?
Se o motivo for a proximidade do parto, a secagem deve ser feita no setimo mês de gestação, ouseja, 60 dias antes do parto.
Se o motivo for baixa produção de leite, o criterio a ser adotado deve ser específico de cada produtor, pois apenas este é capaz de avaliar se uma vaca está ou não compensando economicamente. Ele poderá até mesmo optar pelo descarte se ela não estiver prenhe.

Como fazer a secagem?
O processo de secagem é simples e consiste em alterar de uma só vez os principais fatores que influem na produção de leite, isto é, a alimentação e os estimulos psíquico-hormonais (presença do bezerro, das companheiras do rebanho, presença à sala de ordenha, cheiro de ração e/ou silagem etc.). Deve-se proceder da seguinte maneira:
Caneca telada utilizada no diagnóstico de mamite. 
  • O primeiro cuidado é verificar no início da secagem se a vaca não esta com mamite. O diagnóstico será feito com uso da caneca telada, ou de fundo preto e exame do úbere que pode ser feito pela observação da aparência e apalpação para detectar anormalidades. Se o teste da mamite for negativo, a vaca estará apta ao processo de secagem; se positivo, não se deve secar a vaca, mas tratar a mamite.
  • Atendidas as recomendações acima deve-se esgotar bem o úbere da vaca. Em seguida, colocar em cada quarto ou teta um antibiótico de longa duração, proprio para este período de secagem de vaca.
  • Transferir a vaca do local onde está acostumada à rotina da ordenha. Levá-la para um piquete ou pasto, afastado do curral ou do estábulo. Este pasto deve ter pouca disponibilidade de capim, de modo a não permitir que a vaca se alimente bem. Não fornecer concentrado de maneira nenhuma. Embora dispondo de pouco alimento, a vaca deve beber água à vontade.
  • Não ordenhar mais; mesmo se o úbere encher de leite, este fato não ocasionará nenhum mal ao animal, pois o organismo da vaca absorverá este leite. Entretanto, deve-se observar diariamente, para ver se o úbere da vaca está avermelhado ou dolorido, coisa muito rara de ocorrer. Na hipótese de o úbere estar inflamado, deverá ser tratado até que a mamite esteja curada e só então aplicar medicamento próprio para o período de secagem da vaca.
  • Decorridas dias semanas, a vaca não mais produzirá leite e a secagem estará completa, quando então poderá ter uma alimentação normal - volumoso e concentrado - condizente com o período pré-parto.
  • Aplicação do antibiótico.
  • Com este método e estes cuidados, tem sido possível secar vacas com produção superior a 20 litros.

Este processo é fácil e eficiente, e, por ser rápido, não acarreta nenhum problema para o feto.




Fonte: 
Instrução Técnica Para o Produtor de Leite - Método de Secagem de Vacas. Antônio Cândido de C. L. Ribeiro. Embrapa Gado de Leite. www.cnpgl.embrapa.br





sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Como se produz o leite


Fases de secreção (produção) da glândula mamária a produção do leite se inicia pela ação da prolactina da hipófise anterior, que estimula diretamente as células produtoras do leite dos alvéolos da mama. Leite é sangue transformado; nasce no úbere (composto por quatro glândulas mamárias que transformam componentes sanguíneos em alimento). O úbere é dividido em quatro partes, correspondendo cada uma a um teto. Vazio, o úbere pesa cerca de 15kg, podendo comportar até + ou- 40 kg de leite. Para cada litro de leite produzido, passa pela glândula mamária cerca de 300 a 500litros de sangue, portanto, uma boa vaca leiteira deve ter o úbere muito bem irrigado pela rede sanguínea.
Logo após o parto, a desinibição da hipófise anterior pela queda dos estrogênios e progesterona circulantes, leva a um aumento abrupto da secreção de prolactina que, agindo sobre a glândula mamária plenamente desenvolvida pelos hormônios da gestação, irá promover a produção do leite. A manutenção da produção normal do leite, depende da produção de prolactina, do hormônio de crescimento, pequena quantidade de estrogênio presente, do funcionamento da tireóide, da supra-renal e do sistema nervoso. E necessária ainda uma alimentação adequada e ausência de doenças em geral.
A amamentação e o esvaziamento da glândula mamária são os fatores estimulantes da produção de prolactina. O não esvaziamento adequado da glândula implica na cessação da produção do leite. A produção do leite também poderá ser suspensa mediante a administração de doses elevadas de estrogênios, que impedirão a secreção de prolactina pela hipófise. 

A expulsão do leite
Ao se iniciar e durante o ato de mamar, a sensação táctil gera estímulos, que por via nervosa, vão até o SNC (sistema nervoso central) estimulando o hipotálamo a produzir e a hipófise posterior a liberar ocitocina para a circulação. Esta, na glândula mamária, provoca a contração das células mioepiteliais dos alvéolos e a musculatura lisa dos dutos, propulsionando o leite ali formado na cisterna da mama. A compressão dessas cisternas provoca a saída do leite.
Sob a ação o ocitocina, a canulação das cisternas faz o leite jorrar espontaneamente. Em alguns casos, isto ocorre mesmo sem a canulação. A prolactina também é secretada sob controle do arco reflexo descrito.
Fenômenos relacionados com o ato de mamar, o mugido do bezerro, os ruídos do balde de ordenha, etc, podem desencadear o reflexo, que por sua vez também pode ser abolido por diversos fatores, como susto, a substituição de um ordenhador por outro, etc., através da liberação do hormônio adrenalina.


Fonte: 
Embrapa Gado de Leite - www.cnpgl.embrapa.br


Vacas em Lactação


Um sistema de alimentação para vacas em lactação, para ser implementado, é necessário considerar o nível de produção, o estágio da lactação, a idade da vaca, o consumo esperado de matéria seca, a condição corporal, tipos e valor nutritivo dos alimentos a serem utilizados.
O estágio da lactação afeta a produção e a composição do leite, o consumo de alimentos e mudanças no peso vivo do animal.
Nas duas primeiras lactações da vida de uma vaca leiteira, devem-se fornecer alimentos em quantidades superiores àquelas que deveriam estar recebendo em função da produção de leite, pois estes animais ainda continuam em crescimento, com necessidades nutricionais muito elevadas. Assim, recomenda-se que aos requerimentos de mantença sejam adicionados 20% a mais para novilhas de primeira cria e 10% para vacas de segunda cria.
Recomenda-se alimentar as vacas primíparas separadas das vacas mais velhas. Este procedimento evita a dominância, aumentando o consumo de matéria seca.
As vacas não devem parir nem excessivamente magras nem gordas. Vacas que ganham muito peso antes do parto apresentam apetite reduzido, menores produções de leite e distúrbios metabólicos como Cetose, fígado gorduroso e deslocamento do abomaso, além de baixa resistência aos agentes de doenças.
Um plano de alimentação para vacas em lactação deve considerar os três estádios da curva de lactação, pois as exigências nutricionais dos animais são distintas para cada um deles.
As vacas, nas primeiras semanas após o parto, não conseguem consumir alimentos em quantidades suficientes para sustentar a produção crescente de leite neste período, até atingir o pico, o que ocorre em torno de cinco a sete semanas após o parto. O pico de consumo de alimentos só será atingido posteriormente, em torno de nove a dez semanas pós-parto. Por isso, é importante que recebam uma dieta que possa permitir a maior ingestão de nutrientes possível, evitando que percam muito peso e tenham sua vida reprodutiva comprometida.
Devem ser manejadas em pastagens de excelente qualidade e em quantidade suficiente para permitir alta ingestão de matéria seca. Para isto, o manejo dos pastos em rotação é prática recomendada.
Deve-se fornecer volumoso de boa qualidade com suplementação com concentrados e mistura mineral adequada. Vacas de alto potencial de produção devem apresentar um consumo de matéria seca equivalente a pelo menos 4% do seu peso vivo, no pico de consumo.
Vacas que são ordenhadas três vezes ao dia consomem 5 a 6% mais matéria seca do que se ordenhadas duas vezes ao dia.
Para vacas mantidas em pastagens, durante o período de menor crescimento das forrageiras, há necessidade de suplementação com volumosos: capim-elefante verde picado, cana-de-açúcar adicionada de 1% de uréia, silagem, feno ou forrageiras de inverno.  Para vacas de alta produção leiteira ou animais confinados, forneça silagem de milho ou sorgo, à vontade.
Uma regra prática para determinar a quantidade de volumoso a ser fornecida é monitorar a sobra ou o excesso que fica no cocho. Caso não haja sobras ou se sobrar menos do que 10% da quantidade total fornecida no dia anterior, aumente a quantidade de volumoso a ser fornecida. Caso haja muita sobra, reduza a quantidade.
Para cada dois quilogramas de leite produzidos, a vaca deve consumir pelo menos um quilograma de matéria seca. De outra forma, ela pode perder peso em excesso e ficar mais sujeita a problemas metabólicos.
O concentrado para vacas em lactação deve apresentar 18 a 22% de proteína bruta (PB) e acima de 70% de nutrientes digestíveis totais (NDT), na base de 1 kg para cada 2,5 kg de leite produzidos. Pode-se utilizar uma mistura simples à base de milho moído e farelo de soja ou de algodão, calcário e sal mineral ou dependendo da disponibilidade, soja em grão moída ou caroço de algodão. Algumas opções para formulação de concentrado são apresentadas na Instrução Técnica para o Produtor de Leite - Sistemas de Alimentação nº 40. Opções de concentrados para vacas em lactação.
Vacas de alta produção de leite, manejadas em pastagens ou em confinamento,  precisam ter ajustes em seu manejo e plano alimentar. Para vacas com produções diárias acima de 28-30 kg de leite, deve-se fornecer concentrados com fontes de proteína de baixa degradabilidade no rúmen, como farinha de peixe, farelo de algodão, soja em grão moída, tostada etc.
Vacas com produções acima de 40 kg de leite por dia, além de uma fonte de gordura, como caroço de algodão, soja em grão moída ou sebo, devem receber gordura protegida (fonte comercial) para elevar o teor de gordura da dieta total para 7-8%. Essas vacas devem receber uma quantidade diária de gordura na dieta equivalente à quantidade de gordura produzida no leite. Instrução Técnica para o Produtor de Leite - Sistemas de Alimentação nº 47. Alimentação e manejo de vacas de alto potencial genético.
Dieta completa é uma mistura de volumosos (silagem, feno, capim verde picado) com concentrados (energéticos e protéicos), minerais e vitaminas. A mistura dos ingredientes é feita em vagão misturador próprio, o qual contém balança eletrônica para pesar os ingredientes. Muito usada em confinamento total, tem a vantagem de evitar que as vacas possam consumir uma quantidade muito grande de concentrado de uma única vez, o que pode causar problemas de acidose nos animais. Além disso, recomenda-se a inclusão de 0,8 a 1% de bicarbonato de sódio e 0,5% de óxido de magnésio na dieta total, para evitar problemas com acidose.
O melhor teor de matéria seca da ração total está entre 50 e 75%. Rações mais secas ou mais úmidas podem limitar o consumo. Por isso, o teor de umidade da silagem deve ser monitorado semanalmente, se possível.
Normalmente, as vacas se alimentam após as ordenhas. Mantendo a dieta completa à disposição dos animais nesses períodos, pode-se conseguir aumento do consumo voluntário.
Para reduzir mão-de-obra na mistura de diferentes formulações para os grupos de vacas com diferentes produções médias, a tendência é de se formular uma dieta completa com alto teor energético e com nível de proteína não-degradável que atenda ao grupo de maior produção de leite. Os demais grupos, vacas no terço médio e vacas em final de lactação, naturalmente já controlariam o consumo, ingerindo menos matéria seca.
Para assegurar consumo máximo de forragem, principalmente na época mais quente do ano, deve-se garantir disponibilidade de alimentos ao longo do dia. Deve-se encher o cocho no final da tarde, para que os animais possam ter alimento fresco disponível durante a noite. Dessa forma, as vacas podem consumir o alimento num horário de temperatura mais amena.
A relação concentrado/volumoso é maior para vacas de maior produção de leite.         
Deve-se tomar o cuidado de retirar restos de alimentos mofados do cocho antes de fornecer nova alimentação.
Para animais mantidos em pastagens, o método mais prático de suplementar mineral é deixando a mistura (comprada ou preparada na própria fazenda) disponível em cocho coberto, à vontade (Senar - Embrapa: Manual Técnico: Trabalhador na Bovinocultura de Leite - página 161).
Para vacas em lactação e animais que são mantidos em confinamento, é mais seguro e garantido incluir a mistura mineral no concentrado ou na dieta completa.
Vacas em lactação requerem uma quantidade muito grande de água, uma vez que o leite é composto de 87 a 88% de água. Ela deve estar à disposição dos animais, à vontade e próxima dos cochos. Normalmente as vacas consomem 8,5 litros de água para cada litro de leite produzido. Quando a temperatura ambiente se eleva, nos meses de verão, o consumo de água aumenta substancialmente.
No terço médio da lactação, as vacas já recuperaram parte das reservas corporais gastas no início da lactação e já deveriam estar enxertadas. A produção de leite começa a cair e as vacas devem continuar a ganhar peso, preparando sua condição corporal para o próximo parto.
O fornecimento de concentrado deve ser feito com 18 a 20% de proteína bruta, na proporção de 1 kg para cada 3 kg de leite produzidos acima de 5 kg, na época das chuvas, e a mesma relação acima de 3 kg iniciais de leite produzido, durante o período seco do ano.
No terço final da lactação, as vacas devem recuperar suas reservas corporais e a produção de leite já é bem menor que nos períodos anteriores. Deve-se alimentar as vacas para evitar que ganhem peso em excesso, mas que tenham alimento suficiente, principalmente na época seca do ano, para repor as reservas corporais perdidas no início da lactação. É o período em que ocorre a secagem do leite, encerrando-se a lactação atual e o início da preparação para o próximo parto e lactação subseqüente. 
O período seco, compreendido entre a secagem e o próximo parto, em rebanhos bem manejados sua duração é de 60 dias. É fundamental para que haja transferência de nutrientes para desenvolvimento do feto, que é acentuado nos últimos 60-90 dias que precedem o parto, a glândula mamária regenere os tecidos secretores de leite e acumule grandes quantidades de anticorpos,  proporcionando maior qualidade e produção de colostro, essencial para a sobrevivência da cria recém-nascida.
O suprimento de proteína, energia, mineral e vitaminas é muito importante, mas deve-se evitar que a vaca ganhe muito peso nesta fase, para reduzir a incidência de problemas no parto e durante a fase inicial da lactação. Isso se deve, principalmente, à redução na ingestão de alimentos pós-parto, o que normalmente se observa com vacas que parem gordas.
Nas duas semanas que antecedem ao parto deve-se iniciar o fornecimento de pequenas quantidades do concentrado formulado para as vacas em lactação, para que se adaptem à dieta que receberão após o parto. As quantidades a serem fornecidas variam de 0,5 a 1% do peso vivo do animal, dependendo da sua condição corporal.
O teor de cálcio da dieta de vacas no final da gestação deve ser reduzido para evitar problemas com febre do leite (Febre do leite - Embrapa - CNPGL. Documentos, 67) após o parto. A mistura mineral (com nível baixo de cálcio) deve estar disponível, à vontade, em cocho coberto (Manual Técnico: Trabalhador na Bovinocultura de Leite – Senar-AR/MG/Embrapa, 1997 e Embrapa Gado de Leite: 20 anos de pesquisa).

Fonte: Embrapa Gado de Leite - www.cnpgl.embrapa.br